segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Aqui há gato - joguinho quase imortal...



Sem preconceitos de soberba (http://anacruses.blogspot.com/2007/07/os-sete-pecados-mortais-soberba.html , um post com muitos comentários que deu para pensar bastante...): aquela partida Van Wely-Stellwagen do post anterior fez-me lembrar uma partida louca que joguei há 30 anos (17 de Março 1979) de pretas contra Cesar Becx num torneio preliminar do campeonato da Holanda .... e que podia ter terminado com uma "combinação imortal" (para um meu nível de jogo).
A posição no diagrama surgiu após: 1. f4 - e5; 2. fxe5 - d6; 3. Cf3 - dxe5; 4. e4 - Bc5; 5. Bc4 - Cf6; 6. b4 - Bb6; 7. Bb2 - Cc6; 8. d3 - Bg4; 9. b5 - Cd4; 10. Bxf7+ - Rxf7; 11. Cxe5+ - Re8; 12. Cxg4 - Cxc2+; 13. Dxc2 - Cxg4; 14. De2 - Bf2+; 15. Rd1 - Ce3+; 16. Rc1 - Tf8; 17. Bxg7 - Tf7; 18. Bh6 - Dd4; 19. Db2 - Dxd3; 20. Cd2 - Td8; 21. a4

Apuros de tempo, claro; eu senti que 18. Bh6? foi um erro, mas como aproveitar? Hoje com o computador é fácil, ele diz logo 21...Dd6!; 22. Bxe3 - Bxe3 (22. Bg5? - Dc5+) e a pregagem é decisiva.
Durante o jogo eu vi uma outra possibilidade: 21...Bg1!? mas nos apuros não tive coragem e após 21...Cc4 e várias trocas a partida acabou empatada. A ideia era: 22. Txg1 - Tf1+!; 23. Txf1 - Dxf1!+; 24. Cxf1 - Td1 mate, mas em apuros não consegui calcular as consequências de 22. De5+. De facto 22...Rd7; 23. Bxe3 - Bxe3; 24. Dd5+ - Dxd5; 25. exd5 - Tf2 já é bom para as pretas, mas 22...Rd7; 23. Bxe3 - Dxe3! ganha imediatamente por causa das ameaças ...Rc8 e ...Tf1+.
Pena!

4 comentários:

aleg disse...

Maravilhoso! Esses apuros de tempo...fgs
Uma das "armas" do grande Tal era o seu jogo rápido, deixando aos seus rivais, movida trás movida, com cada vez menor tempo de reflexão. Quando chegava a última hora do jogo, as posições ainda eram de tal complexidade, que era mesmo inumano solucionar os problemas no tabuleiro.
O nº1 dos treinadores actuais, Dvoretsky, opinou algures que os que consumiam muito tempo, era porque não estavam a confiar na sua intuição, testando-a sempre racionalmente. Visto dessa maneira, parece ser meu caso.

aleg disse...

Também ele definiu indirectamente à Intuição como "irmã do Conhecimento"

Rini Luyks disse...

Dvoretsky tem sem dúvida razão em relação ao papel da intuição no xadrez.
Acho que o não confiar na intuição também tem raizes socio-culturais: modelos de sociedade e de educação (destinada a manter a sociedade como está) altamente repressivos em relação às disciplinas não quantificáveis.
Olha para o lugar de disciplinas como artes plásticas e música no ensino básico e secundário: ou não existem ou são relegadas para ateliers de tempos livres ao fim da tarde.
O Plano de Xadrez em Lisboa, tão bem enraizado após um decénio de existência, foi imediatamente liquidado por Santana Lopes, quando chegou ao poder na Câmara. Ele próprio foi um antigo Secretário de Estado da Cultura, Deus me livre!
Mais palavras para quê?

aleg disse...

1979?? Olha-lá, podiamos termos cruzado!!! Naltura, eu fazia já quase um ano que começava a jogar.-.-. :)