quarta-feira, 27 de maio de 2009

Torneio GXAlekhine da Primavera 2009 (ou nenhuma surpresa :)

Edifício do GD Ramiro José, com o prédio
velhote atrás---
















vista ao pátio de atrás desde a sala do jogo...


Terminou ontem nas magníficas instalações do Grupo Dramático Ramiro José (ver a 1º foto panorâmica), O Torneio GXAlekhine da Primavera 2009, do qual saiu merecidamente vencedor, com o 100% dos pontos, o bem conhecido no nosso ambiente, ainda jovem valor, o Carlitos Carneiro, confirmando na prática o seu teórico favoritismo.
Há algum tempo Carlos decidiu voltar mais assiduamente ao xadrez de competição 
e já podemos ver que a coisa vai a serio. Há que reconhecer também que o triunfo do Carlos não foi "grátis", devido aos esforços do jovem valor João Simões, que fez trabalhar ao Campeão na última ronda, sendo o jogo deles o último em acabar. Quanto ao Pedro Rego (2º jogador melhor cotado do torneio), pessoalmente acho que se ele não se apressasse, e se concentrasse mais, nada lhe impediria chegar a ser um jogador mais regular, já que força não lhe falta.
Aproveito este espaço para felicitar ao Carlos Carneiro, e a todos os que lutaram e fizeram o seu melhor!
No que respeita ao meu desempenho, devo admitir que vários dos meus rivais, nomeadamente o Alfredo Videira, Alberto Mendes, Carlos Sirgado e Pedro Rego me tiveram compaixão, ao não aproveitarem as minhas não poucas imprecisões. Ainda bem que o Campeão foi a excepção, dando-me uma lição de aberturas.
A arbitragem do Amadeu Solha Santos e o amicíssimo e incorruptível Altino Costa, que lhe deu uma mão foi, como é costume, exemplar, embora devido ao total Fair Play dos participantes, aquilo não foi difícil de alcançar.
Os resultados do Torneio podem-se ver no chess-results

Já agora, quero confessar que este post tem mais um propósito.
Desde as janelas das luminosas e novíssimas instalações do GD Ramiro José, que dão ao pátio traseiro, pude vislumbrar um Velho Prédio, que está ali, todo paciente, à espera da eternidade. Chamou-me a atenção um detalhe: as persianas incrustadas por um pedreiro-artista directamente no reboque, como que congelando um espaço de tempo, esse tempo que é tão veloz...













3 comentários:

Rini Luyks disse...

Alberto, o "aviador" Raúl Lopes diria nesta situação: "Dou-te os quase-parabéns!"

- Em 2001 terminei um pequeno torneio fechado no saudoso Centro de Xadrez do PDX em Alvalade (entretanto demolido, claro) no primeiro lugar ex aequo com Paulo Baptista, com todos os critérios de desempate iguais. Depois perdi a taça no sorteio (felizmente tive a sensatez de propor antes a divisão em partes iguais dos prémios monetários). A seguir Raúl deu-me então os quase-parabéns! Acho que respondi: "Tu és muito fino, pá!" -

A saudar de facto o regresso em força do Mestre Carneiro. Ele é um dos meus "Angstgegners", quer dizer, nunca consegui nada contra ele, nem um empatezinho.
Traumática foi a experiência em Abrantes 1994. Como único benfiquista num ninho cheio de sportinguistas eu ia ganhar o torneio: na última ronda (meio ponto mais do que Mestre A.Pereira dos Santos) tive um final de torre com dois peões a mais... mas contra Carneiro. Consegui perder este final e fiquei em oitavo...

O prédio devoluto com as persianas em erecção seria e facto uma obra de arte, Alberto, se não houvesse milhares destes prédios em Lisboa... ainda ontem a Câmara incluiu nos jornais um folheto com o "Programa de Investimento Prioritário em acções de Reabilitação Urbana". Há muito a fazer.

aleg disse...

Obrigado Rini,
aceito os quase-parabéns. Tu és muito fino, pá! :)
No meu jogo contra o Carneiro, eu agi irracionalmente, e fui justamente batido, não sem erros de ambos os lados, como é habitual entre os humanos. De todas as maneiras, serviu a experiência e estou contente que o Carlos tenha perseverado.

Quanto aos prédios velhos de Lisboa, ou porque não, do Mundo inteiro, são comparáveis com os idosos que não lhe fazem falta à sociedade fã de tudo o que é "novo"...
Na foto que pude tirar não se consegue ver bem, mas é impactante ao vivo. O facto de houverem muitos prédios como esse, para além da óbvia problemática urbanística, é de um simbolismo difícil de ignorar.

Rini Luyks disse...

Absolutamente, Alberto, não quero dar a impressão de ficar insensível à "beleza das ruinas", mas acho que Lisboa está a exagerar.
De resto gostava de ver um gato em repouso em cima das persianas erectas...