sexta-feira, 22 de maio de 2009

O valor de PI

Recentemente no meu trabalho deparei-me com o problema de calcular o valor de PI.

Claro que todos sabemos da instrução básica que o valor de PI é uma dizima infinita não periódica, e como tal impossível de representar no sistema de numeração decimal.

Ainda assim, existem programas para calcular a aproximações cada vez mais exactas desse valor - milhões e milhões de casas decimais.... sem nunca chegarem perto da representação correcta de PI - porque esta tem simplesmente um número infinito de casas decimais, e por mais milhões que calculemos, nunca vamos sequer chegar perto do infinito.

Algo parecido se passa no Xadrez. O Xadrez além de um jogo é uma ciência, no sentido em que é possível descobrir "leis" e "regras" cada vez mais exactas sobre o jogo. É possível descobrir a verdade sobre certas posições - qual é o resultado com jogo correcto e quais as jogadas correctas para atingir o resultado.

Ao contrário do número de casas de PI, o número de posições possíveis num jogo de Xadrez é finito, se bem que astronómico - o que põe a questão de se será possível, na prática, resolver o jogo do Xadrez, isto é, para quaquer posição poder determinar qual o resultado e a sequência de jogo correcta.

Seja possível ou não, hoje ainda estamos muito longe disso. No entanto não é isto o mais importante, nem o que mais me fascina no Xadrez ciência - o que eu acho realmente importante é a procura da verdade. A procura pessoal da verdade, em qualquer campo da ciência ou da vida, é o único método de desenvolvimento pessoal que realmente dá
resultados.

Podemos aprender por livros, por professores, por computadores, internet etc. Mas se não questionarmos as verdades feitas e desenvolvermos as nossas próprias aproximações da "verdade" nunca conseguiremos evoluir - conseguiremos apenas ser um reservatório de frases feitas e lugares comuns.

O conhecimento geral cientifico, a aproximação colectiva da "verdade", é sempre feito questionando as verdades actuais de forma a refiná-las e a produzir novas aproximações da "verdade" mais próximas da verdade "real".

Se a verdade "real" existe ou não é um problema filosófico que não estou preparado para discutir. O valor de exacto de PI é infinito logo impossível de calcular. O jogo do Xadrez é finito, e tenho a certeza possível de resolver, dado o engenho humano, que hoje tem o apoio da tecnologia cada vez mais poderosa. Quanto a outros problemas, não sei, mas procurar a verdade com sentido crítico e espirito aberto, parece-me ser o essencial em qualquer questão.

5 comentários:

Alberto Eggert disse...

Olá Rui,
quero me solidarizar com os pontos de vista cá expostos por ti, ponderando essa maneira de "explicar" coisas à partida difíceis de explicar através da Analogia.
No que respeita ao tema de fundo que é o da verdade "real", ou Verdade com maiúscula, um tema para muitos já resolvido (a minha verdade não é a tua, e por ai fora...)vou fazer um post aparte, porque acho que só aportaria mais a esta pérola inesperada (para mim) que é a declaração dos teus princípios. Aos quais adiro.

Renato Vasconcellos disse...

Rui, deixa-me começar por te cumprimentar e dar os parabéns por este excelente texto, acrescentando que não esperava outra coisa da tua parte. Esta mensagem toca quatro áreas que me são queridas, a saber: matemática, computação, xadrez e filosofia.
Quando falas na procura da verdade, no meu entendimento falas na explicação da realidade.
A realidade tal como a percepciono, não é possível de abarcar completamente, e muito menos racionalmente, daí a necessidade da criação de um Deus, que tudo explica e a todos acode. Acredito que a outros ser existentes, não racionais, esse problema não se coloque da mesma forma, eles puramente existem e sentem, não quer dizer que não “pensem” (à sua maneira), mas parece-me que não se preocupam tanto com isso como o homem.
O ego do ser humano é imenso, e tantas vezes a causa da sua grandeza e da sua miséria.
Mas não vou ficar por aqui, sem saberes, obrigaste-me a escrever uma nova página deste blogue.

Anónimo disse...

A Arte da Guerra

Penso que tens razão Rui, que o espírito humano procura sempre a perfeita verdade, a suprema solução da vida, Deus.
Seria certamente impossível derrotar Deus na India de Rei...

Mas penso que o que motiva as pessoas a jogar xadrez em geral, não é bem resolver o jogo, mas algo mais visceral.
O xadrez é mais um caminho para o encontro com o nosso lado selvagem belicoso.
A coragem, a determinação sem dúvidas, a adrenalina, o caos de emoções sob controlo, e no final a vitória sobre o inimigo.

E se quando um programa apresentar a solução (daqui a alguns séculos como diz o Kasparov), a conclusão do xadrez,
esta não contiver um bravo sacrifício de Dama, com bom critério para ataque de mate?

O lado artístico deste jogo seduz-nos completamente. A pura e fútil contemplação do belo.
A beleza da lógica mas também da audácia.
Não nos deteremos a contemplar a partida perfeita, como fazemos com as imperfeitas.
vamos antes mover a nossa vontade de jogar xadrez para outros desafios que nos pareçam infinitos.
Como diria Platão: só os mortos viram o fim da guerra. Travarêmo-la noutros "tabuleiros".

Outra perspectiva é a do Pessoa. Um velho tabuleiro, com um púcaro de vinho à sombra das árvores.
A sabedoria da alma presa no prazer do momento, cheia de indiferença pelo mundo.

Rato do Alekhine

P.S.: Pergunto-me no entanto, se na partida Deus vs Deus, as brancas ganham ou negras empatam?!

Renato Vasconcellos disse...

Hugo, tens veia de escritor, porque não promover os teus comentários a textos principais do blogue?
A "Arte da Guerra", que bom título seria.
Não tenhas medo que o gato é manso, só gosta mesmo é de contar histórias.

Willian Pereira da Silva disse...

Gostei dessa observação, é perfeitamente sólido que se compare nosso nobre esporte com a matemática. Parabéns!