segunda-feira, 11 de maio de 2009

Surpresa em Corroios (ou ganhar perdendo)


É com muito prazer que fico a aderir a esta magnífica ideia dos meus colegas do GXA, Renato Vasconcellos, Marinus Luyks e Rui Marques, entre outros muitos colegas que com certeza somar-se-ão.

Os meus colegas sugeriram-me escrever as minhas impressões do último torneio em que tive a sorte de participar e ainda sair 1º, favorecido pelo intrincado (para mim) sistema de desempate.

Quanto ao Torneio, foi um torneio muito surrealista no que diz respeito ao lugar da prova e porque não, ao resultado final. Eu, como "vizinho" que sou, cheguei a Corroios de camioneta, fazendo combinação na Cova da Piedade. Uma vez localizado o sitio - ao pé do inconfundível palácio da Câmara municipal, já desde longe vislumbrei pessoal esquisito - montes de miúdos com bastantes graúdos a caminharem para todos os lados, o que naquela hora da sesta dominical só podíamos fazer nós, os loucos xadrezistas. Chegando mais perto, reconheci logo aos grandes representantes do xadrez vernáculo, o Dâmaso, o Vítor Morais, e obviamente aos quase locais ucranianos Ulyanovskyy, Ferents e Cº, aos que sinto sempre uma grande simpatia, por motivos vários, mas principalmente pela sua labor educativa com crianças.

Os supra citados jogadores dirigiam-se a um longínquo café. Ao cumprimentá-los, fui até ao próprio lugar, uma espécie de Circo Romano, onde já estava quase tudo pronto para começar. O céu mostrava a sua intermitência, mas ninguém parecia importar-se com aquele pormenor. Me encontrei com os Alekhinistas Alfredo Videira, Pedro Coelho e o sempre pronto para jogar Cardina que contou-me que este sítio já conheceu tempos melhores, quanto à manutenção

E o torneio arrancou como sempre, com boa organização, bastante pontual, sendo a 7 rondas todas de seguido, coisa que não é habitual. No que respeita ao meu jogo, tive um spurt inicial nas primeiras 6 rondas, coisa que me permitiu, mesmo perdendo (por tempo, com algumas peças a mais) o último jogo com o Viktor Ulyanovskyy, ficar no primeiro lugar, embora nem se me passou pela cabeça que aquilo podia acontecer. Já depois de terminada a última ronda, eu, acostumado a estas coisas do jogo (se ganha e se perde, é assim...) estava sentado junto ao Ferents, falando sobre os vaivéns da vida, filosofando (sempre aproveito nos torneios para filosofar em russo com os ucranianos), o ensimesmado Dâmaso se aproximou a nós e ficou a ouvir a nossa tão profunda conversa. Num momento ouviram-se os gritos de protesto do Viktor Ulyanovskyy, discutindo a validade do sistema de desempate, pelo que deduzi que provavelmente ele não seria o vencedor da prova, mas continuava a falar com o Ferents, até que fui chamado para receber o meu troféu e só ali é que percebi, ao posar para a foto, que tinha ganho a prova. Nesse dia apreendi mais sobre isto de " Ganhar perdendo"...
Para ser justo, acho que no meu jogo com o Ulyanovskyy, num certo momento ele ficou melhor, espantou-me a sua capacidade de reconhecer os seus erros durante a partida e mudar mesmo todo o esquema para melhorar a sua posição. A sua rapidez foi, mais uma vez, o seu ponto forte, sendo ele um jogador extremamente prático. Um verdadeiro gladiador.

Enfim, assim foi, desde o meu ponto de vista, como correu tudo. A quantidade de crianças que participaram na prova só pode alegrar, já que desse modo estão-se a educar e a apreender muito para o resto das suas vidas.

3 comentários:

Rini Luyks disse...

Haha, já estou a ver a cena com Ulyanovskyy, com certeza o desempate foi o "progressivo", então seis vitórias e uma derrota na última ronda garantem a vítoria final, mesmo quando o outro empatado Ulyanovskyy ganhou o jogo entre vocês os dois (na última ronda, claro).
Em 2004 ganhei assim o torneio na Festa do Avante, lá na outra banda utilizam sempre este sistema de desempate, parece.
Bom para nós :)! E parabéns!

Renato Vasconcellos disse...

Mais uma vez parabéns pelo excelente resultado, não é nada fácil ficar à frente de jogadores como o Ulyanovskyy, Ferents e Cº. Espero que continues a ganhar muitos torneios e que venhas depois aqui contar como aconteceu.
Um abraço,
Renato

Alberto Eggert disse...

Obrigado Rini, pela explicação, agora começo a me instruir mais. Há alguns anos jogo xadrez, mas nunca me aprofundei nos sistemas de desempate, é que sou um amateur, tas a ver...:)

Renato, bem-vindo ao blogue que tu mesmo fizeste! Obrigado a ti também pelos bons augúrios, é verdade, os jogadores de 1ª línea não resignam nada, e é toda uma luta ganhar um ponto. Está a mais dizer que tu também podes fazer algum "post", especialmente relacionado por exemplo com a Técnica no Xadrez, entre outros temas, claro:)
Abraço