quarta-feira, 17 de março de 2010

Paulo Barbosa - análise post-mortem

TERCEIRA PARTE
Não há muito tive a sorte de encontrar esta deliciosa aula, que foi dada na recém formada secção de xadrez do Clube "Peões de Caparica" (http://xpeoes-caparica.blogspot.com) pelo nosso colega do GXA, o brasileiro Paulo Barbosa (na minha opinião, um dos potenciais MF que aquele país tem), na qual ele expôs uma das suas partidas, jogada contra um forte MI búlgaro, quem é ademais um menino prodigio de apenas 13 anos. Esse jogo é instructivo em vários aspectos, entre os que se destaca a importância da planificação estratégica, além de algumas regras a seguir, muito úteis e esclarecedoras.
É um prazer ver, como o Paulo dá cátedra sobre um processo que é sempre um mistério, esse processo, chamado - raciocínio humano...

5 comentários:

Albertus disse...

Esqueci-me de pôr o nome do MI búlgaro precoce, é o famoso Kiprian Berbatov!

Rini Luyks disse...

Kiprian Berbatov, sobrinho do não menos famoso futebolista Dimitar Berbatov, contratado pelo Manchester United no dia 1 de Setembro 2008 por 38 milhões de euros, pois!!

Agora a partida: vi atentamente os vídeos e no fim do segundo e no terceiro (curtíssimo vídeo) comecei a sentir algum nervosismo: alguma coisa não bate certo.
Vamos então reconstruir a partida: Berbatov-Barbosa, 1. d4 - d5; 2. Cf3 - c6; 3. Bf4 - Db6; 4. Dc1 - Cf6; 5. e3 - e6; 6. Bd3 - Cbd7; 7. 0-0 - Be7; 8. Cbd2 - c5; 9. c3 - 0-0; 10. Dc2 - Te8; 11. Tae1 - Bd6; 12. Ce5 - Dc7; 13. Cxd7 - Bxd7; 14. Bxd6 - Dxd6; 15. f4 - Tac8; 16. Dd1 - a6; 17. h3 - h5; 18. g4 - hxg4; 19.hxg4 - Rf8? "obrigatório", diz Paulo (2º vídeo, 2:37), mas na minha opinião tanto 19...Bb5; 20. Bxb5 - axb5; 21. g5 - Cd7 como 19...g6 (que prefiro); 20. g5 - Ch5 dariam mais possibilidades às pretas; 20. g5 - Cg8; 21. Dh5 - Paulo: "ainda não estava perdido" (2:50), não concordo, para mim: "game over", 21...Re7 "errado" (3:30) diz Paulo, certo, mas acho que também 21...b5; 22. Dh8 ("eu fiquei temeroso", diz Paulo na análise às 3:55, com toda a razão!)- cxd4; 23. cxd4 - g6 (ou 23...f5); 24. Cf3 perde sem hipótese.
Na análise a seguir (4:20) Paulo "rouba" DUAS jogadas: 22. Dh8 - b5 e joga logo 23...b4 e 24...Bb5 (4:28 "e aí o Bd3 não podia ir para h7", pois acredito! :).

A posição no início do terceiro vídeo não consigo reconstruir a partir do segundo vídeo: o que aconteceu após 22. Dh8? Não 22...b5, pois o peão ainda está em b7, houve uma troca em d4, as brancas comeram Dxg7 e jogam logo Bg6, faltam tempos, parece-me.

De qualquer maneira, 19...Rf8? parece-me o erro decisivo.

Albertus disse...

Confio na tua análise, Marinus_
Embora, é de entender que as variantes do Paulo Barbosa não sejam muito aprofundadas, são claramente umas impressões após o jogo, umas reflexões "post-mortem". Achei poderosa a vocação do Paulo para falar com propriedade em público (assim como tête à tête), e claro, por algo é que a sua profissão tem a ver com o ensino universitário.

Rini Luyks disse...

Concordo, o amigo Barbosa tem grande poder de comunicação e sabe entusiasmar os ouvintes entusiasmando-se a si própio o que é contagiante e muito bom!
Se calhar a minha "crítica de desconforto" devia ser dirigida antes aos cortes dos vídeos.
Quando um vídeo Youtube é cortado em várias partes, em geral faz-se um bocadinho de "overlap": repetem-se os últimos segundos do vídeo nº1 no início do vídeo nº2, etc.
Aqui isso não aconteceu, perdeu-se informação e não consegui reconstituir tudo...

Rini Luyks disse...

Mesmo à segunda vista ainda não consigo perceber o que se passou entre o segundo e o terceiro vídeo, que raiva...
Mas soube que a partida foi jogada duas semanas antes num torneio em Cáceres (curioso o percurso lá do jovem Barbatov: ganhou a dois GMIs 2500+, mas perdeu contra um amador 2000+, são as surpresas do jogo).

Como disse Albertus, Barbosa é um jogador com muito potencial; nos jogos de (semi-)rápidas que disputei com ele no último meio ano senti sempre uma grande vontade de ganhar, em nítido contraste com este seu adversário aqui, que se prezava feliz com alguns empates conseguidos.
No entanto, na Marinha Grande Paulo bateu-me convincentemente, para bem da equipa que alcançou o pódio!

Dito isso e insistindo ainda um pouco (como bom holandês) sobre a posição no jogo após 19. hxg4: custa-me a acreditar que um jogador do nível de Barbosa continua duas semanas depois da partida (que de certeza já tinha analisado, com ou sem computador) a defender 19...Rf8?, deixando entrar a dama branca pela porta grande. Na minha opinião 19...Rf8 só seria possível com um contra-jogo no centro ou ala de dama já bem encaminhado, o que explica aliás aquela "voluntariosa" sequência ...b7-b5-b4 e ...Bb5 no vídeo, sem aguardar as jogadas das brancas, that's the spirit :))!

Na semana passada (na noite do livro encadernado com veludo encarnado...) já me despedi do Paulo (mas só para já), desejo-lhe todas as felicidades no Brasil e até uma próxima travessia!