domingo, 11 de março de 2012

Taça de Portugal: a desforra dos Galitos


Pronto, o post anterior “ao vivo” do “turista” Eggertchi (no sentido kasparoviano, suponho, sendo assim ainda estamos a falar dum xadrezista de força considerável) já deu uma indicação: as coisas não nos correram muito bem, ontem em Aveiro no segundo encontro em quinze dias contra o Clube dos Galitos, agora para a Taça.
Durante a semana houve alguma dificuldade de formar a nossa equipa, afinal jogaram Manuel Curado e Alexandre Santos no 3º e 4º tabuleiro e, apressemo-nos em dizê-lo: bateram-se muito bem!

Para poder almoçar à vontade a equipa chegou a Aveiro já ao meio-dia, três elementos de comboio de Lisboa e Manuel Curado de transporte próprio de Setúbal (uma viagem que ele ia repetir hoje, como disse, como adepto de Vitória de Setúbal na deslocação até Vila do Conde, isso é que é ter amor à camisola!).

Logo na estação de Aveiro encontrei uma conterrânea minha: uma vaca holandesa, mas malhada duma maneira curiosa, veja-lá, caro leitor!

Não parece uma ténia preta gigante? Ainda ponderei levar o animal ao veterinário, mas não houve tempo…

Agradável foi o passeio a seguir ao longo da Ria até à Praça Melo Freitas, onde não tivemos dificuldade de localizar a sede do adversário.
Almoçámos lá perto no restaurante “Neptuno”, simples e bom, e depois: direcção Clube dos Galitos!

...brasão em azulejos...


...bela vista sobre a cidade...


...relaxamento aparente antes do jogo...

Às 15 horas em ponto o início das hostilidades... e foi logo o descalabro!
O curto-circuito no primeiro tabuleiro já foi devidamente tratado, infelizmente no segundo tabuleiro a situação não foi muito diferente, como se pode constatar a seguir.
Um resultado decisivo logo no início do encontro condiciona bastante os outros jogos e isso verificou-se na minha partida, também com várias “imprecisões” na abertura (claramente mais da minha parte, hélas…).

Gustavo Pires – Marinus Luyks

1. e4 – e6; 2. d4 – d5; 3. exd5 – exd5; 4. Cf3 – Bg4; 5. h3 – Bh5; 6. De2+!? – De7; 7. Be3 – Cf6; 8. Cc3 – Cc6? um erro, aqui era necessário 8…c6; 9. 0-0-0 ainda melhor 9. g4 – Bg6; 10. g5 – Ce4; 11. Cxd5 – Dd7; 12. Cf4 – 0-0-0; 13. Cxg6 – hxg6; 14. 0-0-0 com grande vantagem branca – 0-0-0; 10. g4 – Bg6; 11. Ce5

...aqui gastei imenso tempo: 11…Cxe5; 12. dxe5 – Dxe5?; 13. f4 e 14. f5 perde o bispo, também 12…Ce4; 13. Cxe4 é favorável às brancas; o meu adversário sugeriu 11…De8, mas após 12. Bg2 não sei o que fazer…entretanto já estávamos a perder por 1-0... afinal joguei 11…Db4?!; 12. Cxg6 – hxg6; 13. Bg2?! muito melhor 13. g5 – Ce4; 14. Cxd5 – Txd5; 15. Dg4+ - Rb8; 16. Dxe4 - Fritz – Be7?? vi, mas não joguei 13…Ca5!; 14. a3 – Db6! (só considerei 14…Dc4?; 15. Dxc4 – Cxc4; 16. g5 ou 15…dxc4; 16. The1) com igualdade: 15. Ca4 – De6 = (não 15. g5? – Cc4) 14. g5 – Ce4; 15. Cxd5 – Txd5; 16. Bxe4 – Tb5; 17. c4 – Txg5; 18. Bxg5 – Bxg5+ e 1-0 após mais 25 jogadas inúteis.

Assim a eliminatória já estava decidida após duas horas de jogo, um balde de água fria…

Quem não deixou afectar o seu jogo foi Alexandre Santos no 4º tabuleiro, ele conseguiu a partir duma abertura Pirc uma grande pressão sobre o adversário João Andias e na posição do diagrama o aveirense não aguentou:


28. Te3? melhor era tentar um reagrupamento com 28. Bd4 e um eventual Bd1, diz Fritz – Cxe5!; 29. Bd1 – Cg4; 30. Bxg4 – fxg4; 31. Rh2 – gxh3; 32. gxh3 – Df5; 33. Txg7+ - Txg7; 34. Tg3? também 34. De1 – c5!; 35. Bg1 – d4; 36. Tg3 – Txg3; 37. Dxg3 – e3 é sem esperança – Txg3; 35. Bxg3 – Dxh3+ etc. 0-1
Bem jogado!

Também Manuel Curado resistiu bem no início contra o jovem Henrique Aguiar numa Defesa Índia de Rei com forte ataque de Aguiar, aqui a posição após 24…g5;
Curado jogou 25. Txb7? - g4 e o ataque das pretas foi demasiado forte após 26. Dd7 – Tf8; 27. De7 – Bf6; 28. Dd6 – Cg5; 29. Bg2 – Td8; 30. Td7 (ou 30. Tb8 – gxf3, 31. Txd8+ - Bxd8; 32. Dxd8+ - Rh7; 33. Dd3 – Dg4 -+) – Txd7; 31. Dxd7 – gxf3 etc. 0-1

Fritz indica hipóteses de salvação para as brancas após 25. Cc1!? – g4; 26. Cd3 – Cg5 (26…Bd4!?); 27. Bg2 – g3; 28. fxg3 – fxg3; 29. Cxe5 – Txe5; 30. Txb7 – Ch3+; 31. Bxh3 – Dxh3; 32. hxg3 – Dxg3+; 33. Rf1, mas é difícil de encontrar ao tabuleiro.

...Curado-Aguiar, já na fase final do jogo...

E assim o resultado final do encontro foi Clube dos Galitos 3 – GX Alekhine 1.
Boa sorte aos nossos adversários nos quartos-de-final!

…dois culpados à espera do comboio...
(imagem dedicada ao conceituado alekhinista Mestre Pablito)


...ocaso do sol em Aveiro...

5 comentários:

Francisco Castro disse...

Aguardaremos o round 4

e cumprimentos para a simpática equipa do alekhine.

Rini Luyks disse...

Falta a referência do fotógrafo: Eggertchi (menos a´penúltima, claro, tirada pelo Alexandre).

E Francisco Castro: pode contar com a mesma simpatia do GXA no futuro, mas de preferência fora do tabuleiro.
Pois desta vez fomos realmente simpáticos demais...

Beto Eggertchi disse...

Não posso falar muito, pois destilei simpatia sem restrição, mas a razão da minha simpática Dama que foi para a minada casa b4 era a agressão pura (a Dama queria comer em b7). -Tomaaa, - lhe contestou um até então calmo Cavalo de b8...
Ai não houve mais remédio que dar um aperto de mãos, em sinal de finalização de qualquer simpática agressão...

Anónimo disse...

"Evite penalizações"...Sim, mas ali já era tarde ;)

Dervich

Rini Luyks disse...

Bem observado, Dervich, mas como se vê na dedicatória na legenda, a piada pretende ser um pouco mais abrangente...