terça-feira, 6 de dezembro de 2011

2º Torneio João Duarte dos Santos 2011



Num Portugal “em crise”, influenciado pelos “grandes exemplos mundiais”, num Portugal onde a questão cultural, como pode certamente parecer à primeira e à segunda vista, cede perante as necessidades económicas e de foro mais, por assim dizer, “terrenal”, mesmo assim, ainda surgem e, não cabe dúvida nenhuma(!), não deixarão de surgir iniciativas dignas de serem imitadas por todos nós.
Uma delas é o recentemente celebrado 2º Torneio João Duarte dos Santos, uma simpática prova de cariz descontraido e aparentemente amador, mas é só na aparência, pois segue com todo o rigor as normativas da FIDE. O que a FIDE não impõe é o carinho do convívio e a hospitalidade dos anfitriões!
O Anfitrião, que neste feliz caso foi o próprio homenageado Sr. João Duarte dos Santos, um homem afável, de grande coração e humildade, fez com que todos nos sentissemos como em casa, aliás, foi na sua própria casa que fez-se o Torneio!
Quanto ao conteúdo meramente xadrezístico, fiquei agradavelmente surpreendido, pois desde o primeiro jogo senti que a malta local, muito apesar da sua amabilidade e bom trato pessoal, não está lá a brincar, e tenta de estar num nível que obriga à máxima concentração, pois o preço do erro lá pode rapidamente levar a um lógico “zero” em contra:). Pessoalmente fiz uma performance muito acorde com o esforço que lhe aplico ao meu xadrez actual, pelo que deixo cá um precedente que o ranking ELO é um indicador que de maneira nenhuma predestina o resultado dum jogo concreto, pois o xadrez é um jogo objectivo e só ganha quem for o menos subjectivo possível (esta regra fica comprovada pelas tantas honradas excepções, diria Tal ou Bronstein:)).
O resultado final foi, ao meu ver, muito justo e é para dar os parabéns ao rapaz Daniel Bray que demonstrou muita determinação e resistência, produtos de já visível experiência adquirida e que esperemos não fique por ai. Também é de salientar a actuação do Cavadas-filho, quem está a produzir partidas com cada vez maior qualidade, sem ter-lhe medo a ninguém, espero bem que continue a progredir e que o Cavadas-pai tenha a força suficiente de apoiar o rapazinho, quem tem ainda muito mais para dar!
Desde esta margem do Tejo, pois quero agradecer pela calidez e a qualidade da gente do Bormbarral e o fair play de todos os participantes!
E que continue para o ano próximo com convidados cada vez mais fortes para honrar e fomentar o esforço dos xadrezistas locais.
A seguir publico o meu último jogo com  Carlos Marques, um jogador que me pareceu muito pacífico na vida real, mas revelou uma excelente disposição para o ataque, que só não foi vitória para ele, por algumas imprecisões que tranquilamente podem-se entender pela falta de prática mais assídua deste talentoso jogador.



Mais informações, com fotos e outros jogos interessantes, podem-se ver no site da Secção de Xadrez da Casa do Povo da Vila de Bombarral que brindou uma cobertura muito interessante e actualizada.
http://cpbombarral.comuv.com/index.htm

2 comentários:

Anónimo disse...

Agradeço-te as simpáticas palavras, assim como te elogio pela tua postura ao longe de todo o torneio (jogos, convívio, etc). Agradeço também mais umas luzes que me deste depois na análise do jogo.

Já agora, no texto, deixaste José Marques... eu sou Carlos... mas José também não é insulto..

Abraço

Albertus disse...

Amigo Carlos,
as minhas desculpas pelo erro, o importante não é não errarmos, senão, saibamos corrigir o erro!
Grande abraço e até aos próximos jogos.